E pensar que ainda há, infelizmente, quem não veja conexão entre literatura e realidade.
A propaganda da Natura foi uma excelente sacada. Põe poesia no "todo dia", no cotidiano, na vida. Ei-la:
Rotina...
A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem a sua beleza.
Confiram: http://www.youtube.com/watch?v=ywstMUvHJtI
sexta-feira, 18 de julho de 2008
domingo, 15 de junho de 2008
Vamos esperar no cais de qual porto?
Olha aí Renan , eu tinha que colocar aqui no blog a poesia da Elisa Lucinda, nem é preciso que eu a explique...só de sacanagem...
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles
e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam:
"Não roubarás",
"Devolva o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todoo mundo rouba"
e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser,
vai dá para mudar o final!
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles
e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam:
"Não roubarás",
"Devolva o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todoo mundo rouba"
e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser,
vai dá para mudar o final!
sexta-feira, 30 de maio de 2008
A vida, diferentes óticas
Assim como a morte, a vida é para a literatura sempre fonte de tessituras diversas. Albero Caeiro, para quem a vida não encerra mistérios e as coisas são apenas as coisas, queria que a sua fosse um "carro de bois", assim só teria rodas a ir e a voltar sempre pela mesma estrada, de modo a não ter maiores desassossegos: "Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois/ Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada, E que para de onde veio volta depois/ Quase à noitinha pela mesma estrada. Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ...A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas, E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco."Não encerra mistérios a vida, a vida? A vida é líquida, revestida de tempo, fugidio, em que tentamos reter sonho, vontade, desejo...
Alcoólicas
de Hilda Hilst
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
domingo, 18 de maio de 2008
A Brites de Júlia Nery
Mas, é por meio dessa lendária e popular figura, que Júlia Nery encontra material para reconstruir a história de Brites de Almeida. Num tempo em que ser mulher não era exatamente um privilégio, encontramos uma personagem cindida, dividida. Um duplo. Ou uma duplicidade. Como a capa do livro (e é pela capa que comecei a leitura) sugere. "Não se nasce mulher, torna-se" nos diria Simone de Beauvoir, e nas páginas da "Crónica..." encontramos uma Brites que por toda vida viveu a ambivalência de "ser e não ser sendo", resistindo a "torna-se" naquele suposto modelo do eterno feminino...
sábado, 17 de maio de 2008
Antes sonhava... hoje nem durmo
Li esta frase numa traseira de caminhão. E o interessante não é exatamente a ironia do contrário que revela num "antes e depois", marcas de um tempo que não sei se tão delimitável e linear quando o assunto é sonho. O que está por trás é que salta aos olhos. Nem é preciso sono, e é isso que a frase que vi, e muitos viram ou sabem dela, diz. Basta desejo que alimente e tempo que dure. O "hoje" é qualquer momento em que a vida ficou sem cor e os desejos perderam sentido... mesmo para os que não dormem.
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