sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Interlúdio

Final de semana passado foi uma correria muito boa, com direito à audição da sobrinha de meu esposo na sexta (ela tocou violino), panqueca no jantar com duas amigas-primas de Belo Horizonte, e no sábado à noite teatro no Tuca. Fomos assistir à peça O amor e outros estranhos rumores - 3 histórias de Murilo Rubiãocom Débora Falabella, Gabriel Paiva e Yara Novaes. Ótima! A peça volta em janeiro, vale a pena! 

Esta semana dezembro começou. Adoro essa época! Final de ano é tempo de alegria, talvez de nostalgia e também de certa angústia. Bom, vou explicar. De alegria porque, afinal, o ano já está quase terminando, nós vamos nos lembrando do que passamos, das conquistas, dos momentos bons, e isso vai gerando aquele outro sentimento que vai se misturando ao primeiro: a nostalgia. Daí, a vontade de um querer mais, de viver tudo outra vez de forma diferente e de outras maneiras...aí começamos a lançar o nosso olhar, o nosso sentimento para o ano vindouro! Tudo de bom! É também de certa angústia porque, à essa altura, muita gente ainda está vivendo uma certa inquietação por conta de avaliações, substitutivas, ahhhh é um período complicado, tanto para professores quanto para alunos. Lembrei-me da Nath, minha amiga, que está justamente vivendo tudo isso ao mesmo tempo...


Fora as angústias que nos tomam ao assistirmos os tele-jornais.O bom é que "somos brasileiros" e temos esperança suficiente para acreditarmos que alguns desses problemas vão ser combatidos com perspectiva de uma efetiva mudança. Tomara!
Hoje irei para Florianópolis com o Cléber, vamos passar o final de semana! Uhuuuuuuu...Claro que já selecionei o que vou levar: Orlando de Virginia Woolf, um livro que estou relendo, para quem sabe ler naquela horinha da brisa... 

               O livro também tem a sua versão em filme: http://www.youtube.com/watch?v=OVCO_F0fUas

Ah, também pensei no que vou usar. Dessa vez vou viajar com uma bolsa fofa da Intuitif. Coisa linda, viu? A Liana Barros é quem cria as bolsas e o ateliê ficam em Salvador. A loja parece uma casa de bonecas! Descobri o site da Intuitif por meio de Un vestido e un amor (http://unvestido.com.br/loja/), que vende vestidos que são uma graça. 


Essa foto eu tirei na varanda da casa de minha sogra, que fica em Suzano (a 50 km de SP), que fomos visitar em um desses finais de semana ensolarados. Estou usando a bolsa Julia da Intuitif (http://www.intuitifnews.blogspot.com/) e um vestido da Como quieres que te quiera (http://www.comoquieres.com.ar/). 
Para encerrar tanto falatório, que hoje estou assim "falante" pelos cotovelos, pessoal, vou postar uma poesia de Cecília Meireles, para que cessem agora as minhas palavras e reste apenas a presença majestosa de uma grande poeta! Um beijo e bom final de semana!

 Interlúdio

                  Cecilia Meireles

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Um lindo conto...

Hoje me lembrei de um conto de Rubem Braga que gostava de ler na época de minha graduação. Trata-se de "Uma lembrança". O autor consegue ser tão doce e tão afetivo nas palavras que simplesmente nos transporta para um tempo sem tempo, para o onírico, para o espaço dos sonhos, da infância. Lá, nesse lugar único, a chuva caindo na pele em gotas redondas, o cheiro do café e da terra molhada, o olhar e o desejo trocado, tato, olfato, paladar...misturam-se incondicionalmente. Esse conto é a tradução mais pura de algo que um dia ficou para traz, ao longe... sem nunca nos magoar, essa lembrança doce e perene que permanece irremediavelmente em nossos sonhos... intocável...





Uma lembrança
Rubem Braga


            Foi em sonho que revi a longamente amada; sentada numa velha canoa, na praia, ela me sorria com afeto. Com sincero afetopois foi assim que ela me dedicou aquela fotografia com sua letra suave de ginasiana.
            Lembro-me do dia em que fui perto de sua casa apanhar o retrato, que me prometera na véspera. Esperei-a junto a uma árvore; chovia uma chuva fina. Lembro-me de que tinha uma saia escura e uma blusa de cor viva, talvez amarela; que estava sem meias. Os leves pelos de suas pernas lindas queimadas pelo sol de todo o dia na praia, estavam arrepiados de frio. Senti isso mais do que vi, e, entretanto, esta é a minha impressão mais forte de sua presença de quatorze anos: as pernas nuas naquele dia de chuva, quando a grande amendoeira deixava cair na areia grossa pingos muito grandes. Falou muito perto de mim, e perguntei se tomara café; seu hálito cheirava a café. Riu, e disse que sim, com broas. Broas quentinhas, eu queria uma? Saiu correndo, deu a volta à casa, entrou pelos fundos, voltou depois (tinha dois ou três pingos de água na testa) com duas broas ainda quentes na mão. Tirou do seio a fotografia e me entregou.
            Dei uma volta pela praia e pelas pedras para ir para casa. Lembro-me do frio vento sul, e do mar muito limpo, da água transparente, em maré baixa. Duas ou três vezes tirei do bolso a fotografia, protegendo-a com as mãos para que não se molhasse, e olhei. Não estava, como neste sonho de agora, sentada em uma canoa, e não me lembro como estava, mas era na praia e havia uma canoa. “Com sincero afeto...” Comi uma broa devagar, com uma espécie de unção.
            Foi isso. Ninguém pode imaginar porque sonha as coisas, mas essa broa quente que recebi de sua mão vinte anos atrás me lembra alguma coisa que comi ontem em casa de minha irmã. Almoçamos os dois, conversamos coisas banais da vida da cidade grande em que vivemos. Mas na hora da sobremesa a empregada trouxe melado. Melado da roça, numa garrafa tampada com um pedaço de sabugo de milho — e veio também um prato de aipim quente, de onde saía fumaça. O gosto desse melado com aipim era um gosto de infância. Lembra-me a mão longa de uma jovem empregada preta de minha casa: lembro-me quando era criança, ela me servia talvez aipim, então pela primeira vez eu reparei em sua mão, e como era muito mais clara na palma do que no dorso; tinha os dedos pálidos e finos, como se fosse uma princesa negra.
            Foi o tempo da descoberta da beleza das coisas: a paisagem vista de cima do morro, uma pequena caixa de madeira escura, o grande tacho de cobre areado, o canário belga, uma comprida canoa de rio de um tronco, tão simples, escura, as areias do córrego sob a água clara, pequenas pedras polidas pela água, a noite cheia de estrelas...Uma descoberta múltipla que depois se ligou tudo a essa moça de um moreno suave, minha companheira de praia.
            Foi em sonho que revi a longamente amada; entretanto, não era a mesma; seu sorriso, e sua beleza que me entontecia haviam vagamente incorporado, atravessando as camadas do tempo, outras doçuras, um nascimento dos cabelos acima da orelha onde passei meus dedos, a nuca suave, com o mistério e sossego das moitas antigas, os traços belos e serenos. Gostaria de descansar minha cabeça em seus joelhos, ter nas mãos o músculo meigo das pantorrilhas. E devia ser de tarde, e galinhas cacarejando fora, a voz muito longe de uma mulher chamando alguma criança para o café...
            Tudo o que envolve a amada nela se mistura e vive, a amada é um tecido de sensações e fantasias e se tanto a tocamos, e prendemos e beijamos é como querendo sentir toda sua substância que, entretanto, ela absorveu e irradiou para outras coisas, o vestido ruivo, o azul e branco, aqueles sapatos leves e antigos de que temos saudade; e quando está junto a nós imóvel sentimos saudade de seu jeito de andar; quando anda, a queremos de , diante do espelho, os dois belos braços erguidos para a nuca, ajeitando os cabelos, cantarolando alguma coisa, antes de partir, de nos deixar sem desejo mas com tanta lembrança de ternura ecoando em todo o corpo.
            Foi em sonho que revi a longamente amada. Havia praia, uma lembrança de chuva na praia, outras lembranças: água em gotas redondas correndo sobre a folha de taioba ou inhame, pingos d’água na sua pele de um moreno suave, o gosto de sua pele beijada devagar...Ou não será o gosto, talvez a sensação que dá a nossa boca tão diferente uma pele de outra, esta mais seca e mais quente, aquela mais úmida e mansa. Mas de repente é apenas essa ginasiana de pernas ágeis que vem nos trazer o retrato com sua dedicatória de sincero afeto; essa que ficou para sempre impossível sem, entretanto, nos magoar, sombra suave entre morros e praia longe.  

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Segundona

Encontrei-me nas palavras de Clarice Lispector, e são elas que dedico a todos nesta segunda-feira... final de semestre! Um beijo e boa semana!




Não me provoque

"Não me provoque,
tenho armas escondidas...     
Não me manipule,
nasci pra ser livre...
Não me engane,
posso não resistir...
Não grite,
tenho péssimo hábito de revidar...
Não me magoe,
meu coração já tem muitas mágoas...
Não me deixe ir,
posso não mais voltar...
Não me deixe só,
tenho medo da escuridão...
Não tente me contrariar,
tenho palavras que machucam...
Não me decepcione,
nem sempre consigo perdoar...
Não espere me perder,
para sentir minha falta..."
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Receita para um fim de semana ensolarado...

Divertir-se muito é a melhor dica! Passear por um jardim em flor (ou sem) rss, respirar fundo, sentir a vida, fazer leituras (as mais diversas e impossíveis), se jogar num filme, numa peça, ir à Pinacoteca, papear com os amigos, namorar, ir visitar aquela pessoa querida, fazer umas comprinhas ;-), renovar o visual, ir à feira de domingo com todo paradoxismo permitido: comer um pastel e comprar coisas verdes e saudáveis, isso tudo e muito mais. Fim de semana ensolarado é inspirador. Claro que em São Paulo ele também inspira desconfiança, pode ser que amanhã faça sol, depois chova, faça frio, no outro dia ninguém sabe... Mas o que importa é que todo esse movimento em torno do nosso olhar e do nosso sentir é subjetivo, por isso, faça sol ou não, estaremos extremamente inspirados pela vida!

Um beijo e bom final de semana!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu gosto de...

Do que você gosta? Com certeza de um montão de coisas que não daria para responder assim, de uma só vez. O bom da vida é fazer o que se gosta e estar com quem se ama. Eu gosto disso. Mas, refazendo a pergunta para chegar onde quero chegar, eu diria: O que você gosta de fazer? Se gosta de ler, tenho uma dica bem legal. Pode parecer estranho, mas, você já parou para reparar nas livrarias as estantes dos livros "infantis"? Ah, tem cada livro MARAVILHOSO!!!! Não é preciso ser criança para gostar de ler esse gênero. E se há crianças em casa, por certo elas se deliciarão. Recomendo sempre os contos de fadas tradicionais e as fábulas de Esopo. Ou seja, na hora da escolha fique bem longe das versões "Disney" e cia. As histórias são bálsamos para as nossas vidas, pois retratam um mundo simbólico, que nos confortam e enriquecem, porém, devemos ter cuidado com certas versões, que deturpam o sentido original dessas histórias antiquíssimas.

Uma dica legal é "O Grande Livro das Princesas", da Ciranda Cultural. O livro traz 12 relatos das princesas dos contos de fada, de lendas e até da história. É um livro bonito, que chama mesmo a atenção. Ah, mas vale ressaltar, é possível encontrar um outro livro com o mesmo título, mas de qualidade inferior. Então, lembre-se: o que estou indicando é da Ciranda Cultural e os autores são: Albert Vinyoli e Joan Vinyoli. 
Um beijo!



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Leituras adversas



"E bastou esse nada, essa quase presença, para ela sofrer de amor" 
(do seu coração partido, Marina Colasanti)

Como assim? Sexta-feira taí, o fim de semana chegando e "leituras adversas"? Sim. Nada melhor do que passar alguns momentos com um texto que desperte sentimentos opostos. Vou explicar. 


Embora vivamos um tempo de inconstância, instabilidade, enfim, um tempo que, como quer Baumman, é líquido e disforme, os sujeitos ainda buscam, em termos de "ARTES", seja no cinema, na literatura, nas artes plásticas, uma possível coerência e conformidade do mundo. No entanto, as artes seguem a mesma linha da humanidade. Por isso, o non sense nunca esteve tão presentificado em suas diversas formas de expressão. 


Fico surpreendida ao ouvir de alguém: "o texto era sem pé nem cabeça"; "o filme não tinha começo, meio e fim"; "a música não diz lé com cré". 


Ora, ora, meu amigo, bem vindo a pós-modernidade!!!! 
A vida contemporânea não é certinha e regrada. O tempo da estabilidade ficou lá traz, nos séculos passados. Aliás, desde o advento da Revolução Industrial, o chão começou a ruir bem debaixo das seculares certezas... 


É por isso que sugiro um livro delicioso e adverso (se levarmos em consideração a expectativa da leitura linear). Trata-se de do seu coração partido, de Marina Colasanti. O livro reúne vários contos. Cada um deles trata de temas tão comuns e tão próximos, que logo ficamos apaixonados. 


Eu já gostava mesmo dessa autora, desde os tempos de minha graduação. do seu coração partido, só (re)afirma a grande sensibilidade que ela tem em tratar de assuntos que fazem-nos voltar para nós mesmos e para aquele nosso vil e instável cotidiano. 


Um beijo e bom final de semana!  

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Depois do sumiço...


Olha eu aí na "Como quieres que te quiera" (Galeria Pacífico; Shopping Abasto; Palermo Shopping). Eis o site da loja: http://www.comoquieres.com.ar/. Os preços são incríveis e as peças lindas mesmo. Esse casaquinho cinza é de lá. 


Viagens siderais



Tanta coisa aconteceu nesses meses que estive ausente (do blog... das anotações), que agora que estou de volta nem mesmo sei como vou colocar tudo em dia. Vamos fazer assim, vou falar apenas do que aconteceu e mais gostei. Leituras? Muitas! É mais o que eu tenho feito: trabalhar e trabalhar na tese... estou amando. Falar de literatura de autoria feminina, da representação das mulheres na sociedade e na cultura, de seus sonhos, tabus, ideais, é falar de nós mesmas....

Mas também tirei um tempo para viajar e descobrir coisas legais, comprinhas, enfim. Adoro fazer isso também. Uma viagem legal foi a de Buenos Aires que fizemos em julho. Adorei tudo lá: Caminito, Recoleta: os museus, os restaurantes, o passeio pelo rio Tigre; Puerto Madero... ahhhhhhhh, e as compras na Florida, né?

Uma dica que não é nenhuma novidade, mas vale a pena ser reforçada para quem adora lojas de roupas com ar retrô, é a "Como quieres que te quiera", que tem na Galeria Pacifico, também no Shopping Abasto e no de Palermo. Pena que o site não represente tão bem a delícia e a fofura que é essa loja.

Fizemos quase tudo de metrô e trem, taxi mesmo pegamos apenas do aeroporto para o hotel e vice-versa.

Depois, gostamos tanto que acabamos indo em outubro para Montevideo e de lá, claro, para Buenos Aires!!!


É isso! Prometo que agora vou pôr o blog sempre em dia e termino em grande estilo com Goethe:

"É certo, afinal de contas, que neste mundo nada nos torna necessários a não ser o amor".

Bjsssssss

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Conexões


Lembrei-me hoje de uma poesia que ouvimos durante um passeio que fizemos de Lisboa para Leiria. Deixamos o rádio do carro sintonizado em uma estação local, assim íamos nos deliciando com as músicas regionais, com o linguajar, enfim com a cultura daquela gente querida. A programação dessa rádio era muito boa, mesclando música e poesia enviadas pelos ouvintes. Um dentre esses enviou "Eu não existo sem você" do Vinícius. Adoramos ouvi-la com o sotaque daquela terra que, pouco a pouco, íamos descobrindo e amando em nossa lua-de-mel. Realmente, esse foi um dos momentos mais bonitos da nossa viagem.

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você